Era uma vez, há muito tempo, um homem que vivia com sua esposa em uma pequena cabana perto do mar. Como moravam à beira da água, seu ofício era a pesca. Todos os dias, ele partia de manhã cedo e pescava até o pôr do sol, enquanto a esposa levava os peixes para vender na feira próxima de casa. Não era um trabalho que rendia muito, mas ainda assim dava para sustentar a família.
Numa manhã, quando o homem se preparava para sair, a esposa o deteve com um sorriso.
“Querido, teremos uma criança!”, disse ela.

“Nós seremos uma família maior!”, exclamou o homem, abraçando-a com alegria.
Mas, em sua mente, surgiam preocupações: como sustentaria a família? Queria dar tudo de bom à criança e até reformar a cabana, mas o trabalho na pesca não rendia o suficiente.
Nos dias seguintes, tentou perguntar aos moradores se haveria algum trabalho extra, mas ninguém pôde ajudá-lo. Porém, certa manhã, enquanto pescava à beira-mar, algo chamou sua atenção: uma velha garrafa foi parar na praia. Ele a pegou e quase a jogou de volta, até notar que havia um pequeno papel dentro. Com cuidado, desdobrou o papel úmido e descobriu que se tratava de um mapa.
Não era um mapa comum: indicava uma caverna em uma ilha. O que estaria escondido lá? Ele não sabia, mas decidiu tentar descobrir. Correu para casa e tirou um pequeno barco de madeira do galpão. Como estava furado em alguns lugares, passou a tarde inteira consertando-o, preparando-se para partir no dia seguinte. Quando contou o plano à esposa, ela não ficou nada contente. Tinha medo de que algo pudesse acontecer. E se ele não voltasse? Mas, pensando melhor, resolveu que não custava nada tentar.
Na manhã seguinte, o homem partiu em seu barquinho. Não sabia quanto tempo a viagem duraria, mas cantava para tornar a travessia mais agradável. Para sua surpresa, já ao anoitecer, chegou à ilha indicada no mapa. Acendeu uma tocha e entrou na caverna escura.
O que encontrou lá foi incrível. Moedas de ouro, colares de pérolas, e até um anel com esmeralda brilhavam diante de seus olhos.
“Deve ser o tesouro de algum pirata!”, disse consigo mesmo, enchendo a bolsa com tanto ouro quanto o barco podia carregar.
Ao voltar para casa, sua esposa o recebeu com alegria. Com a riqueza conquistada, reformaram a cabana, transformando-a em uma casa aconchegante, e guardaram o restante para a criança que estava a caminho.
Daquele dia em diante, não precisaram mais se preocupar com nada. E viveram felizes para sempre.