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Contos para crianças - A fantasminha Fabi

Histórias para Dormir

A fantasminha Fabi

Fabi era uma fantasminha pequena e muito fofa, de cabelo ruivo sempre desgrenhado, rosto sujinho e roupa costurada com um monte de retalhos coloridos. Ela morava no meio dos fantasmas e era uma menina bem especial. Dava para ver logo de cara que ela não era como as outras crianças. Mesmo assim, Fabi queria muito ter amigos entre as crianças de verdade. A mãe e o pai dela eram fantasmas, ela ia à escola de fantasmas, mas o mundo das crianças comuns não saía da cabeça dela.

A mãe sempre dizia: “Fabi, aquele mundo não é para nós. As pessoas não entendem como a gente é e podem te machucar. Fique bem longe dos humanos”. Mas Fabi não conseguia resistir. Quase todo dia, ela se escondia atrás do muro da esquina, perto do parquinho onde as crianças brincavam, e ficava espiando. Ela se divertia e achava que estava segura, porque pensava que ninguém a via.

Um dia, quando estava escondida na esquina espiando as crianças, ouviu uma voz atrás dela: “Oi, eu sou a Lili. Por que você está aí escondida e não vem brincar com a gente?”. A fantasminha levou um susto tão grande que caiu sentada. Atrás dela estava uma menina mais ou menos da idade dela, muito bonita, de trancinhas e vestido florido. Lili estendeu a mão para ajudar Fabi a se levantar e chamou de novo para brincar.

Fabi respondeu, envergonhada: “Mas eu não sou como as outras crianças. Eu sou uma fantasma, sou diferente, e o meu lugar não é aqui no meio das pessoas”. Lili só sorriu: “Não tem problema você não ser como a gente. Vem, vai ser divertido!”. E assim Fabi, toda animada e ao mesmo tempo nervosa, foi com as crianças para o parquinho. Foi a tarde mais legal da vida dela, e ela fez um monte de amigos novos. Ninguém olhou torto para ela, ninguém riu dela. Desde então, a fantasminha ia brincar com as crianças quase todos os dias.

Uma tarde, quando chegou ao parquinho, todas as crianças estavam sentadas no banco, tristonhas, conversando baixinho. “O que aconteceu?”, perguntou Fabi, vendo que alguma coisa estava errada. Lili suspirou e explicou: “É que tem um menino grandão e muito malvado que vem aqui. Ele vive expulsando a gente do parquinho, diz que criancinha como nós não tem nada que fazer aqui e que, se a gente continuar vindo, ele vai botar a gente para correr. A gente tem medo dele, somos muito pequenos. Mas a gente adora brincar aqui”.

Fabi pensou um pouco e disse: “Não se preocupem, pessoal. Quem vai embora é ele. Afinal, para que serve ser fantasma?”. E começou a explicar o plano para as crianças. Quando chegou a hora em que o menino malvado costumava aparecer, as crianças e a fantasminha já estavam escondidas nos seus lugares, onde ele não podia vê-las. Logo ele chegou. Era alto e bem mais velho que elas.

Ele estava olhando o parquinho quando Fabi estalou os dedos e, de repente, as bolas de basquete começaram a pular sozinhas em volta dele. Quicavam no chão e iam direto no menino. Ele só cobria a cabeça e rodava sem parar. Quando as bolas sossegaram, Fabi estalou os dedos de novo e as traves do gol começaram a correr atrás dele. O menino saiu correndo pelo parquinho, fugindo delas, sem entender nada. Até que as traves o cercaram e avisaram: “Aqui você não vai mais expulsar ninguém nem implicar com os menores. Aqui todo mundo pode brincar”. O menino, de boca aberta, só balançava a cabeça que sim. As crianças pularam de alegria. E a Fabi? Estava muito feliz. As crianças tinham aceitado ela do jeitinho que era, e agora ela é que tinha ajudado as crianças. Desde então, todo mundo brinca junto no parquinho. Até o menino malvado virou amigo deles.

4.5 de 5 · 61 avaliações

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