
Histórias para Dormir
Como Branquinho esperava a primavera
Numa floresta profunda, onde no inverno tudo ficava coberto por um grosso edredom de neve, nasceu um coelhinho numa manhã fria. Ele se chamava Branquinho, porque tinha o pelo branco como neve fresca. Pôs o focinhozinho para fora da toquinha e olhou ao redor, surpreso.
“Mamãe, isto é o mundo inteiro?”, perguntou ele.
A mamãe riu baixinho.
“Não, Branquinho. Isto é só o inverno.”
“E então o que é o mundo?”, perguntou, admirado.
A mamãe se deitou ao lado dele e começou a lhe contar:
“Na primavera, a floresta fica cheia de cores. A grama é verde, as florzinhas vão desabrochar e o sol aquece de um jeito tão gostoso que você nem vai querer se esconder.”
Branquinho arregalou os olhos.
“Existem mesmo outras cores além do branco?”
“Sim”, assentiu a mamãe. “Amarelo como o sol, rosa como as florzinhas, azul como o céu.”
Desde então, Branquinho esperava todos os dias. Olhava para fora da toquinha e torcia para ver aquela primavera encantada.
Um dia, ele percebeu que a neve já não estava tão fria e dura. Gotas de água começaram a escorrer das árvores, e o ar tinha outro cheiro.
“Mamãe! Alguma coisa está acontecendo!”, exclamou.
A mamãe sorriu.
“A primavera está chegando.”
Branquinho pulou para fora, impaciente. Primeiro, com cuidado. Suas patinhas escorregavam um pouco, mas de repente ele viu algo verde.
“O que é isso?”, sussurrou.
“Isso é grama”, disse a mamãe.
Alguns dias depois, apareceram as primeiras florzinhas. Pequenas, coloridas, exatamente como ele imaginava. Branquinho pulava de alegria.
“O mundo é mais bonito do que você me contou!”
De repente, ouviu-se um farfalhar vindo do arbusto. Branquinho ficou paralisado.
Do meio das folhas, apareceu uma esquilinha.
“Olá”, disse ela timidamente. “Eu sou Ruivinha. Você é novo por aqui?”
Branquinho assentiu.
“Eu sou Branquinho. É a primeira vez que vejo a primavera.”
Ruivinha sorriu.
“Então venha, vou te mostrar a floresta!”
Juntos, correram pelo prado, brincaram de pega-pega entre as florzinhas e ouviram o canto dos passarinhos. O solzinho aquecia seus pelinhos, e o mundo estava cheio de cores e risadas.
À noite, Branquinho voltou para a mamãe, cansado, mas feliz.
“Mamãe”, sussurrou ele, “a primavera é ainda mais bonita quando a gente tem um amigo.”
A mamãe o cobriu e o acariciou suavemente.
E Branquinho adormeceu sabendo que o mundo pelo qual havia esperado tanto tempo era cheio de calor, cores e novas amizades.
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